Biblioteca Virtual

Dicas para Leitura

NOVEMBRO/2018

A edificação da Calgary Central Library está inserida numa complexa condição urbana, em que uma linha de trem em operação cruza o terreno em um caminho curvo, dividindo o centro e o bairro de East  Village.  Em resposta, o projeto ergue a entrada principal sobre a linha de trem. Delicadamente, os terraços nas encostas guiam até o coração do edifício, permitindo que pessoas de todas as direções interajam com a biblioteca. O interessante é que todo o volume do edifício está contido no mesmo padrão, permitindo que todos os lados funcionem como a "frente" do edifício. Esse vocabulário visual continua no interior, expresso no design da nova identidade visual da biblioteca e na sinalização do prédio, unificando os objetivos de inclusão da edificação. Ao longo dos seis pavimentos, uma variedade de espaços oferece interações digitais, analógicas, de grupo e individuais. No nível mais alto da biblioteca está a Grande Sala de Leitura, concebida como uma caixa de joias dentro da biblioteca, que fornece um espaço para estudo focado e inspiração. Chegando ao ponto mais ao norte da biblioteca, encontra-se a sala de estar, com vista para a linha do trem e o ponto de encontro dos dois bairros. Cheia de luz e atividades, esta “proa” do edifício, servirá, não apenas como um farol para aqueles de fora, convidando-os a entrar, mas também como uma perspectiva de olhar para trás - um ponto de vista adequado para observar o impacto de um edifício que espera reenergizar o espírito de cultura, aprendizado e comunidade em Calgary. <https://www.archdaily.com.br/br/906051/biblioteca-central-de-calgary-snohetta>

 

 

 

GESTÃO DO CONHECIMENTO

Gestão de Competências

DEL MASSA, Heloá Cristina Oliveira; DAMIAN, Ieda Pelogia Martins;  VALENTIM, Marta Lígia Pomim. Competência em informação no apoio à Gestão do Conhecimento. Informação & Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 28, n. 1, p. 257-267, jan./abr. 2018. Disponível em: <http://www.periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/ies/article/view/32569/pdf>.

Em um contexto de crescente valorização da informação e do conhecimento, o Século XXI tem se evidenciado como reformulador de políticas institucionais, potencializando o capital humano para gerar inovação e obter vantagem competitiva. No entanto, as iniciativas voltadas à aplicação de uma gestão que realmente possa trabalhar o capital humano em sua potencialidade são poucas. O uso da informação consistente e confiável para a construção de conhecimento organizacional é essencial, assim enfatiza-se a necessidade de se desenvolver a gestão do conhecimento alinhada a competência em informação. Nesse sentido, foram identificadas similaridades entre Competência em Informação (CoInfo) e Fatores Críticos de Sucesso (FCS). Como resultado, apresentam-se os principais fatores críticos de sucesso inter-relacionados aos principais padrões de desenvolvimento/aprimoramento da competência em informação expondo a necessidade de valorização do uso competente da informação para a geração de conhecimento.

INFORMAÇÃO

Arquivística

VITAL, Luciane Paula; BRÄSCHER, Marisa. Modelo FRSAD como base para a representação temática na descrição arquivística. Informação & Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 28, n. 1, p. 271-283, jan./abr. 2018. Disponível em: <http://www.periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/ies/article/view/38326/pdf>.

A organização e representação da informação nos arquivos vêm ganhando espaço de discussão na literatura da Ciência da Informação, especialmente após a automatização dos sistemas de informação. Os modelos conceituais, apoiados na perspectiva entidade/relacionamento, como os da família dos Functional Requirements (FR Family), fornecem uma perspectiva para esse ambiente. A pesquisa considera que os documentos em arquivos apresentam especificidades relacionadas à Organicidade e Proveniência que os diferenciam dos documentos em outros serviços de informação e, portanto, a representação temática desses documentos também apresenta peculiaridades que devem ser consideradas. Assim, o estudo tem como objetivo estabelecer os “themas” para esses documentos, com base no Functional Requirements for Subject Authority Data (FRSAD). Conclui-se que os modelos conceituais para representação de assunto são pertinentes e colaboram no estabelecimento de múltiplas relações entre os conjuntos documentais em arquivos. 

HABITAÇÃO

Habitação de Interesse Social

ARRUDA, Sande Nascimento de. Regularização fundiária de interesse social como instrumento de inclusão urbana e de reconhecimento da função social da propriedade através da influência da cartografia na comunidade Roda de Fogo. e-metropolis, Rio de Janeiro, v. 9, n. 34, p. 21-32, set. 2018. Disponível em: <http://emetropolis.net/system/edicoes/arquivo_pdfs/000/000/035/original/emetropolis34.pdf?1540950046>.

O artigo trata da regularização fundiária jurídico dominial de interesse social dentro de uma política pública com fulcro no reconhecimento de comunidades consolidadas no espaço urbano, no resgate da cidadania e do direito à cidade formal, além de travar discussão acerca do processo de ocupação de terra, e da conceitualização da regularização fundiária, case e agendas administrativas que viabilizaram um novo ciclo fundiário no município do Recife. Analisa a experiência da implementação da Regularização Fundiária Jurídico Dominial de Interesse Social (RFJDIS) em Pernambuco, através da execução do Programa Meu Imóvel Legal, com vistas a atender à demanda da população e concluir as políticas habitacionais da Cohab/PE, bem como propor um novo ciclo para a regularização fundiária no estado de Pernambuco, vislumbrando a transferência definitiva das áreas ocupadas por família de baixa renda, para fins de moradia.

Mercado Imobiliário

LACERDA, Norma et al. Dinâmica do mercado imobiliário nos centros históricos em tempos de globalização: os casos de Recife, Belém e São Luís (Brasil). Cadernos Metrópole, São Paulo, v. 20, n. 42, p. 443-469, maio/ago. 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cm/v20n42/2236-9996-cm-20-42-0443.pdf>.

As baixas taxas de crescimento da economia brasileira e a sua inserção na economia globalizada, verificadas a partir da década de 1990, tiveram repercussões sobre os centros históricos. A descentralização político-administrativa e a competição entre as cidades pelos investimentos privados impulsionaram os governos locais a investir nesses centros para atrair atividades. Isso tem tido implicações nas dinâmicas dos seus respectivos mercados imobiliários. O presente texto analisa, comparativamente, como essas dinâmicas ocorreram nos Centros Históricos do Recife, de Belém e de São Luís, bem como em seus espaços internos, mostrando suas regularidades e especificidades. Revela que ora se reproduzem espacialidades preexistentes, ora se recriam outras mediante processos de requalificação capazes de inseri-los, de diferentes maneiras, no processo de globalização da economia.

MEIO AMBIENTE

Recursos Naturais

SOUZA, Vanessa Victor da Cruz de et al. Pagamento por serviços ambientais de recursos hídricos em áreas urbanas: perspectivas potenciais a partir de um programa de recuperação da qualidade de água na cidade de São Paulo. Cadernos Metrópole, São Paulo, v. 20, n. 42, p. 493-512, maio/ago. 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cm/v20n42/2236-9996-cm-20-42-0493.pdf>.

O Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) vem se consolidando como estratégia para valorizar e gerenciar os recursos naturais. Este trabalho parte da premissa de que o PSA pode ser instrumento de fortalecimento da gestão sustentável de recursos hídricos em áreas urbanas, em aderência ao preconizado no Plano Diretor Estratégico de São Paulo. Para tanto, discute-se a perspectiva de aplicação de PSA a partir do Programa Córrego Limpo (PCL), que vem desempenhando papel relevante na manutenção da qualidade das águas urbanas de São Paulo. Esta pesquisa exploratória demonstra que os elementos esperados para um caso de sucesso de PSA são encontrados no PCL, em termos de serviços ambientais relevantes, provedores que garantam sua continuidade, identificação de beneficiários e potenciais pagadores.

RECURSOS HÍDRICOS

Bacias Hidrográficas

COUTINHO, Marcos Pellegrini et al. Áreas de inundação no trecho paulista da bacia do Rio Paraíba do Sul e nascentes do Cadastro Ambiental Rural. Urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana, Curitiba, v. 10, n.3, p. 600-613, set./dez. 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/urbe/v10n3/2175-3369-urbe-2175-3369010003AO09.pdf>.

A partir do conhecimento das áreas de risco de inundação urbana e do banco de dados do cadastro ambiental rural, que permite conhecer a localização das nascentes de cursos d’água, o artigo associa e avalia as áreas de risco e nascentes, propondo ações no âmbito das informações geradas. O estudo abrangeu 10 municípios da região do Vale do Paraíba, mapeados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), com risco de inundação e a situação das nascentes (áreas preservadas, consolidadas e a serem recompostas). Os resultados revelaram, para os municípios avaliados, que 10.324 nascentes foram cadastradas e, para todos os municípios, a quantidade de áreas preservadas é superior em relação às consolidadas. Além disso, há carência de projeto de recomposição da vegetação em nascentes de cursos d’água causadores de inundação nos municípios estudados, mesmo após alterações no Código Florestal. Tais informações podem ser utilizadas para subsidiar instituições locais, que atuam na revegetação de áreas desmatadas, e iniciativas que visem à mitigação de risco de inundação das áreas avaliadas.

Gestão

ANAZAWA, Thatiane Mayumi. A escassez hídrica na Região Metropolitana de Campinas entre 2013-2015: a perspectiva de um desastre socialmente construído. Cadernos Metrópole, São Paulo, v. 20, n. 42, p. 347-369, maio/ago. 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cm/v20n42/2236-9996-cm-20-42-0347.pdf>.

No Brasil, especificamente na região Sudeste, os baixos índices pluviométricos iniciados em 2013 e intensificados durante 2014 e 2015 caracterizaram uma estiagem de caráter prolongado, resultando em uma escassez hídrica, um desastre socialmente construído. Uma das áreas mais afetadas por essa escassez hídrica foi a Região Metropolitana de Campinas (RMC). O objetivo deste trabalho foi apresentar elementos para a discussão da escassez hídrica ocorrida na RMC sob a perspectiva dos desastres socialmente construídos. A partir de uma análise de entrevistas semiestruturadas realizadas com atores envolvidos com a gestão dos recursos hídricos, foi possível observar que as medidas emergenciais que desconsideram a construção social do problema tiveram pouco efeito na resolução de conflitos.

REGIÕES METROPOLITANAS

Brasileiras

SILVA, Alexsandro Ferreira Cardoso da et al. Conflitos interescalares: o local e o metropolitano na gestão do território. Urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana, Curitiba, v. 10, n. 3, p. 637-649, set./dez. 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/urbe/v10n3/2175-3369-urbe-2175-3369010003AO11.pdf>.

Desde a Constituição Brasileira de 1988, a criação das Regiões Metropolitanas é atribuição das Assembleias Legislativas dos estados. Contudo, os municípios estão diretamente ligados às lógicas cotidianas do local e, ao mesmo tempo, são inseridos em uma escala supralocal de poder e governança, o que revela uma aparente contradição das disputas interescalares do poder sobre o Território, expressas na busca por capturar planos, programas e projetos de desenvolvimento local com justificativas supralocais. Assim, o artigo tem por objetivo entender de que modo a disputa por projetos territoriais leva em conta o conflito interescalar, articulando o Planejamento e a Gestão urbana no território metropolitano. Para tanto, a pesquisa destacou algumas ações que revelam as formas de centralização e descentralização do Planejamento e da Gestão na Região Metropolitana de Natal, RN, Brasil, na última década (2006-2016).

Gestão

FREITAS-FIRKOWSKI, Olga Lúcia Castreghini de; SILVA, Madianita Nunes da. Curitiba/Brasil e Tucumán/Argentina: dinâmicas metropolitanas comparadas. e-metropolis, Rio de Janeiro, v. 9, n. 34, p. 6-20, set. 2018. Disponível em: <http://emetropolis.net/system/artigos/arquivo_pdfs/000/000/259/original/emetropolis34_art1.pdf?1540950565>.

O artigo apresenta resultados da pesquisa comparada entre as metrópoles de Curitiba, no Brasil e Tucumán, na Argentina, com objetivo de compreender como processos gerais e homogeneizantes se particularizam em metrópoles com posições semelhantes nas redes urbanas de seus respectivos países. Para fazê-lo, duas dimensões foram priorizadas: a produção dos espaços de moradia e as estratégias de implantação de um setor específico da economia urbana, relacionado às redes de varejo e aos shopping centers. A escolha dessas dimensões justifica-se por entender que ambas explicitam dinâmicas importantes para a apreensão das características atuais da metropolização, tais como as relações do local com outras escalas espaciais e as lógicas presentes na produção e reestruturação do espaço metropolitano na presente fase do capitalismo.

Planejamento

GADENS, Letícia Nerone; BEL, Joaquim Sabaté. Planejamento urbano flexível na cidade contemporânea: contribuições a partir da análise do Plano 22@ Barcelona. Urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana, Curitiba, v. 10, n.3, p. 558-575, set./dez. 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/urbe/v10n3/2175-3369-urbe-2175-3369010003AO05.pdf>.

O objetivo foi analisar o Plano 22@ Barcelona - o qual se propõe a promover a reconversão de um tecido industrial em um setor de inovação -  considerando que esse exemplo pode aportar reflexões a processos de transformação de áreas urbanas em situação similar. A discussão e análise pautam-se em questões identificadas como possíveis contribuições a experiências de transformação urbana similares, inclusive brasileiras. Os resultados evidenciam que o plano aporta contribuições à gestão urbana ao exemplificar a prática de transformação territorial a partir de um instrumento que considera implantação progressiva, diversidade morfológica, atuação de diversos agentes e mecanismos que se articulam em distintas escalas, em um sistema flexível de planejamento.

SANEAMENTO AMBIENTAL

Resíduos Sólidos

SILVEIRA, Raquel Maria da Costa; FIGUEIREDO, Fábio Fonseca; ALMEIDA, Jelisse Vieira Gomes. A proteção ambiental e a gestão compartilhada: um estudo de caso na Região Metropolitana de Natal. Cadernos Metrópole, São Paulo, v. 20, n. 42, p. 513-530, maio/ago. 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cm/v20n42/2236-9996-cm-20-42-0513.pdf>.

O trabalho tem por objetivo refletir acerca da relação entre a Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Estatuto da Metrópole, compreendendo as implicações e os desafios previstos nessas normas para as regiões metropolitanas no Brasil. O compartilhamento de soluções voltadas à preservação ambiental requer a pactuação entre diferentes atores políticos e sociais, o que, por vezes, cria obstáculos à existência de uma política efetiva. Nesse sentido, foi realizado um estudo de caso na Região Metropolitana de Natal (RMN), investigando-se, especificamente, a gestão compartilhada dos resíduos sólidos a partir da lei 12.305/2010. O estudo apontou para a ausência de cooperação na gestão dos resíduos sólidos no âmbito da RMN, apresentando-se, ainda, um cenário de descumprimento da norma de direito ambiental.

TECNOLOGIA

Inovação

STEFANO, Fabiane; LISKAUSKAS, Suzana. Não dá para se acomodar. Exame, São Paulo, v. 52, n. 20, p. 44-50, out. 2018.<https://bibliotecavirtual.emplasa.sp.gov.br/documentos/dicas/2018/novembro/Exame_ed1172.pdf>

As cidades brasileiras que se esforçam no aprimoramento da gestão figuram entre as melhores para se investir. Nesse ranking foram considerados 42 indicadores com pesos diferenciados. A pesquisa envolveu aspectos dentro dos quesitos sociodemografia, economia, saúde, transporte, educação, finanças, infraestrutura e segurança com pesos diferenciados. Entre as cem cidades, Vitória aparece em primeiro lugar, seguida de São Caetano do Sul, São Paulo, Porto Alegre e Barueri. Entre outras iniciativas, Vitória aposta na inovação como, por exemplo, distribuir 1,5 milhão de reais às melhores ideias na área de educação, saúde e gestão da máquina pública.

TRANSPORTES

Acessibilidade

BRACARENSE, Lílian dos Santos Fontes Pereira; FERREIRA, Jéssica Oliveira Nunes. Índice de acessibilidade para comparação dos modos de transporte privado e coletivo. Urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana, Curitiba, v. 10, n.3, p. 600-613, set./dez. 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/urbe/v10n3/2175-3369-urbe-2175-3369010003AO08.pdf>.

Visando uma melhoria dos serviços de transporte ofertados e de sua infraestrutura base, observa-se a necessidade de oferecer instrumentos de planejamento que avaliem a acessibilidade, de forma a diagnosticar o nível de atendimento aos usuários pelos diferentes modos de transporte. O trabalho propõe a formulação de um índice que permita a comparação da acessibilidade dos modos de transporte privado e coletivo, com base em estudo bibliográfico, que buscou analisar características, limitações e aplicabilidade de índices desenvolvidos em estudos anteriores. Tomando em estudo de caso a cidade de Palmas, TO, o índice formulado reúne variáveis que permitem sua aplicação tanto ao modo privado como ao coletivo, traduzindo em termos de tempo de viagem diferentes variáveis que caracterizam cada modo. Desse modo é possível avaliar de forma integrada e espacializada a acessibilidade a transportes para diferentes categorias de usuários, além de permitir a simulação de intervenções, auxiliando no processo de planejamento urbano e de transportes.

Mobilidade Urbana

CRUZ, Maurício Feijó; FONSECA, Francisco César Pinto da. Vetores em contradição: planejamento da mobilidade urbana, uso do solo e dinâmicas do capitalismo contemporâneo. Cadernos Metrópole, São Paulo, v. 20, n. 42, p. 553-576, maio/ago. 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cm/v20n42/2236-9996-cm-20-42-0553.pdf>

O artigo analisa as relações entre as atividades de planejamento urbano no Brasil – em especial da mobilidade urbana e do uso do solo – tensionadas pelas dinâmicas do capitalismo pós-fordista, representando modelo de acumulação ao qual o planejamento governamental tende a se adaptar, embora num processo permanente de embates e contradições. Tendo em vista a Política Nacional de Mobilidade Urbana e o Estatuto da Metrópole, e à luz dos processos de espraiamento territorial dos aglomerados urbanos em escala regional, procura-se compreender perspectivas e diretrizes para que o planejamento da mobilidade urbana e metropolitana, objeto dos Planos Municipais de Mobilidade Urbana e Planos de Desenvolvimento Urbano Integrado, superem abordagens setoriais de transporte alheias à realidade advinda das dinâmicas do capital no espaço urbano.

 

DIAS, José Maria et al. Are brazilian cities ready to develop an efficient urban freight mobility plan? = As cidades brasileiras estão preparadas para desenvolver um plano eficiente de mobilidade urbana de carga? Urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana, Curitiba, v. 10, n.3, p. 587-599, set./dez. 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/urbe/v10n3/2175-3369-urbe-2175-3369010003AO07.pdf>.       

Conforme o Plano Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), as cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes são obrigadas a elaborar Planos de Mobilidade Urbana (PlanMob). A literatura mostra falta de pesquisas nacionais sobre planejamento e políticas de frete urbano e de um melhor entendimento para as autoridades sobre transporte de cargas, especialmente para a tomada de decisão sobre políticas e planejamento do transporte urbano de carga. Soluções para Logística Urbana podem ser consideradas nos PlanMobs para reduzir o problemático transporte urbano de cargas. Dessa forma, um levantamento de dados foi realizado para investigar os recursos disponíveis para as cidades planejarem o PlanMob, as soluções para a movimentação de cargas presentes nas cidades brasileiras e as percepções de gestores públicos sobre o transporte de carga em suas cidades. Os resultados mostram que as soluções mais adotadas pelas autoridades brasileiras são as restrições, incluindo uma amostra representativa das cidades do estado de São Paulo com mais de 250 mil habitantes. As conclusões apontam que as cidades brasileiras não estão preparadas para desenvolver um plano eficiente de transporte de carga urbano, porque os gestores públicos parecem estar inconscientes sobre demandas da logística urbana em suas cidades ou os gestores têm negligenciado aspectos de carga urbana dentro do PNMU.

URBANISMO

Geografia Urbana

MORENTE, Fran. De la acumulación a la apropiación: una reflexión acerca del espacio público en la ciudad contemporánea. Urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana, Curitiba, v. 10, n. 3, p. 650-662, set./dez. 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/urbe/v10n3/2175-3369-urbe-2175-3369010003AO12.pdf>.

A virada espacial em ciências humanas marca um ponto de não retorno na forma de conceituar a relação entre seres humanos e espaço. Com a cidade ao fundo, tempo, espaço e pessoas estão interligados e em transformação contínua. Seguindo essa trilha, este artigo intenta uma contribuição teórica conectando território, cidade e espaço público, a fim de aprofundar o conhecimento sobre esse último. Para fazer isso, passamos por três escalas diferentes: começamos a partir da instrumentalização global do território em busca da acumulação, falamos da fragmentação da cidade e da dissolução da identidade urbana e, finalmente, das pressões sobre o espaço público. A organização instrumental do território em centro e periferias transforma as cidades em palimpsestos sociais complexos e seu espaço público, ponto de encontro democrático entre pessoas anônimas, em locais nos quais a individualidade está em perigo. Existe uma réplica a partir da microescala? Através de pensadores desse espaço, como Harvey, Augé e Lefebvre, apresenta-se uma discussão teórica sobre a tensão entre sistema e sujeito, reificação e libertação, estruturação e experiência no cenário da cidade contemporânea.

Plano Diretor Estratégico

KOURY, Ana Paula; CAVALLARI, Talita Veiga. Desenvolvimento urbano em áreas de fronteira: o caso do Itaim Paulista. Urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana, Curitiba, v. 10, n.3, p. 663-676, set./dez. 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/urbe/v10n3/2175-3369-urbe-2175-3369010003AO13.pdf>.

A política de adensamento da cidade de São Paulo propôs o aumento da área construída em regiões específicas da cidade, para aproximar trabalho e moradia. Como esta estratégia funciona nas áreas periféricas da cidade? A política de adensamento da cidade de São Paulo foi definida pela Rede de Estruturação da Transformação Urbana, proposta pela Lei Municipal n.º 16.050/2014 – Plano Diretor Estratégico (PDE) ? e pela Lei Municipal n.º 16.402/2016 – conhecida como Lei de Zoneamento. O foco deste trabalho é analisar o caso de um bairro periférico, considerando que a dinâmica dessas áreas é muito diferente da dinâmica do centro da cidade, em que políticas de desenvolvimento urbano baseadas no adensamento têm sido aplicadas há pelo menos duas décadas. O estudo de caso apresentado é o da Estrada Dom João Nery, localizada no Itaim Paulista, zona leste da cidade.

Urbanização

MAZIVIERO, Maria Carolina; SILVA, Alane Santos da. O caso do Complexo Paraisópolis em gestões: diferenças conceituais em programas de intervenção em favelas de São Paulo. Urbe. Revista Brasileira de Gestão Urbana, Curitiba, v. 10, n. 3, p. 500-520, set./dez. 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/urbe/v10n3/2175-3369-urbe-2175-3369010003AO03.pdf>.

O artigo apresenta as intervenções urbanas realizadas ao longo de quatro gestões municipais no Complexo Paraisópolis (entre 2001 e 2016), analisando qualitativamente diferenças e semelhanças entre elas, a fim de compreender as recentes práticas do poder público. Os dados resultantes, em especial as espacializações das intervenções, possibilitaram perceber dificuldades e fragilidades envolvidas na dinâmica de intervenção em assentamentos precários, uma vez que muitos projetos representam, na prática, despejos forçados por constituírem ações incompletas. Por meio da análise, discutem-se os maiores impasses, os limites e as implicações sociais que limitam a eficácia dos programas de intervenção em favelas, o que ainda são questões extraterritoriais, majoritariamente políticas.